segunda-feira, agosto 29, 2011

Ciência Viva no Verão - resumo de duas actividades conjuntas

No passado dia 16 de Agosto de 2011, eu, mais alguns familiares e amigos, fomos até à Praia de Faro, a duas actividades organizadas pelo Centro Ciência Viva do Algarve, no âmbito da Ciência Viva no Verão de 2011. Estas decorreram no Centro Azul - Centro Náutico da Praia de Faro, não necessitando de inscrição, e intitulavam-se Biodiversidade – desafios e ameaças numa Ria em mudança (Biologia no Verão) e As barras também migram (Geologia no Verão).
À semelhança do ano passado, esta estava muito interessante e bem organizada, pese embora o facto de estar quase igual ao ano passado. As responsáveis eram simpáticas e explicavam tudo de forma excelente, havendo ainda um cantinho com livros para a troca.
O facto de a explanada exterior ser excelente, de a Ria Formosa ficar a poucos metros (o meu filho e sobrinhos foram apanhar bichos para a actividade...) e o mar ser logo ao lado melhorou ainda mais a actividade.
E agora, aqui ficam algumas fotos da actividade:
Classificação e nome comum de bivalves e outros gastrópodes com concha
Carta geológica de parte do Algarve
Na explanada exterior
Ria Formosa
No tanque centra, vendo e mexendo nos animais
Cartaz exterior
Cartaz de entrada
Muppies interiores
Gastrópodes
Microscópios e painéis informativos
Brincando com os bichos do tanque
Colocando ascídeas (cordatos primitivos) no tanque
Crustáceo (santola) no tanque
Lebre do mar (vendo-se o esqueleto)
Vendo as partidas de aviões
Os primos apanhando animais na Ria Formosa
O descanso das guerreiras
Nadando da praia de Faro

sexta-feira, agosto 26, 2011

Novidades sobre asteróides e meteoritos

Sistema solar Meteoritos vêm de asteróides rochosos mais próximos
Amostras do asteróide Itokawa trazidas para a Terra revelam a novidade
Há muito que os astrónomos suspeitavam que a origem da maioria dos meteoritos que caem na Terra estava nos asteróides. Mas, observadas cá de baixo, as assinaturas físico-químicas desses corpos rochosos que povoam o sistema solar não condiziam com as dos meteoritos. A única maneira era ir lá buscar uma amostra para tirar teimas e foi o que a missão japonesa Hayabusa fez, no asteróide Itokawa, regressando à Terra, no ano passado, com uma mão-cheia de pedacinhos intactos. E o enigma está resolvido: os condritos, a maioria dos meteoritos que caem na superfície terrestre, vêm mesmo dos asteróides, sobretudo dos mais próximos da Terra, designados de tipo S. Os primeiros estudos das amostras do Itokawa são publicados hoje na Science.
in DN - ler notícia

quarta-feira, agosto 24, 2011

Saída de Campo: Aves e Dinossáurios

Visita ao Cabo Carvoeiro, Lagoa de Óbidos e Lourinhã (Programa Aves & Dinossauros), com a Birds & Nature 
Data: 17 de Setembro de 2011
 O Programa Aves & Dinossauros foi concebido pela Birds & Nature em parceria com o Museu da Lourinhã e conjuga, ao longo de um dia, a actividade de observação de aves (na zona do Cabo Carvoeiro e na Lagoa de Óbidos), com a observação de registos fósseis de dinossauros em arribas e falésias do concelho da Lourinhã, bem como uma visita ao Museu desta cidade.  
O Museu da Lourinhã é a principal realização do GEAL (Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã), uma associação sem fins lucrativos, cujos objectivos incluem três áreas temáticas principais: a Etnografia, a Arqueologia e a Paleontologia. Em Portugal, o pavilhão da Paleontologia constitui o local com maior número de dinossauros expostos, incluíndo também vários registos fósseis únicos. O Museu possui o único laboratório de preparação de fósseis que, em Portugal, se dedica a tempo inteiro a essa tarefa e que pode ser visto em laboração. A visita de campo para observação de registos fósseis, decorrerá no concelho da Lourinhã, em locais privilegiados para a compreensão e aquisição de conhecimentos sobre a história da Terra. Visitaremos arribas e falésias junto ao mar, em terrenos de enorme importância paleontológica, pelas jazidas de dinossauros do Jurássico Superior. A visita ao museu e a visita de campo para observação de registos fósseis será guiada pelo Doutor Octávio Mateus, da Universidade Nova de Lisboa e do Museu da Lourinhã, paleontólogo com um extenso trabalho de investigação nesta área, tendo publicado numerosos artigos científicos em revistas nacionais e estrangeiras e que já descreveu várias novas espécies de dinossauros para a ciência. Relativamente à observação de aves, visitaremos o Cabo Carvoeiro/Peniche e a Lagoa de Óbidos. Quanto ao primeiro, trata-se de um excelente local para a observação de diversas espécies de aves marinhas e esta altura do ano é especialmente interessante. É possível observar várias espécies, como são exemplos: a Negrola, a Cagarra, a Pardela-de-barrete, a Pardela-preta, o Fura-bucho do Atlântico, o Fura-bucho das Baleares, a Alma-de-mestre, o Alcatraz, o Corvo-marinho, a Galheta, o Moleiro do Árctico, o Moleiro-pequeno, o Alcaide, o Garajau, a Gaivina e a Gaivina do Árctico. Para além das aves marinhas, é expectável observar algumas outras espécies raras e locais, como é exemplo o Falcão-peregrino. Na Lagoa de Óbidos, esperamos observar diversas espécies de aves de vários grupos, como são exemplos as limícolas, os patos, as gaivotas, as andorinhas-do-mar e os passeriformes; nesta altura do ano, a lagoa é um óptimo local para observar aves em migração, incluindo espécies emblemáticas como a Águia-pesqueira.
Programa
09.00 – Encontro no Museu da Lourinhã 09.10 – Visita ao Museu 10.30 – Saída para o campo, para observação de registos fósseis nas Arribas da Lourinhã 13.30 – Regresso à Lourinhã, para almoço 13.45 – Almoço (em restaurante ainda a definir) 15.15 – Saída para Peniche / Cabo Carvoeiro 15.30 – Observação de aves marinhas no Cabo Carvoeiro 16.30 – Saída para a Lagoa de Óbidos 17.00 – Observação de aves na Lagoa de Óbidos 19.00 – Final da actividade
Preço: 45 euros por pessoa. 
O preço inclui: acompanhamento permanente de guia da Birds & Nature, visita guiada por um especialista em paleontologia às arribas e falésias, bem como ao Museu da Lourinhã, custo de entrada no Museu, utilização de material óptico de qualidade (binóculos e telescópios), seguro de acidentes pessoais e IVA. Não inclui: almoço, transporte para os locais de observação e outras despesas de carácter pessoal.
Notas 
Nos passeios organizados pela Birds & Nature, tentamos proporcionar não só excelentes momentos de birdwatching, mas também oportunidades fotográficas únicas. O programa realiza-se com um mínimo de 8 participantes; o número máximo de inscrições aceites é de 24.
Birds & Nature Tours é uma empresa de animação turística licenciada para esta actividade, com o RNAAT nº 25/2008 do Turismo de Portugal, I.P.
Para reservas ou saber mais informações, contacte-nos!

Mais uma interessante descoberta de icnofósseis e ossos de vertebrados em Angola

Expedição internacional ocorreu entre Julho e Agosto
Português descobre primeiras pegadas de dinossauro encontradas em Angola
O paleontólogo Octávio Mateus, responsável pelo achado
O paleontólogo Octávio Mateus descobriu as primeiras pegadas de dinossauro encontradas em Angola, durante uma expedição internacional ocorrida entre Julho e este mês.
O cientista português disse à Lusa que se trata das "primeiras pegadas  que se conhece em Angola", que se presume pertencerem a um dinossauro saurópode  que terá vivido no Cretácico Inferior, há cerca de 128 milhões de anos. 
Ao todo, a descoberta é composta por 70 pegadas de mamíferos e por dois  trilhos de dinossauros, um deles ainda com "impressões de pele".  
Os achados de pegadas de mamíferos levam a equipa de cientistas internacionais,  composta ainda por dois americanos e por um holandês e com colaboração angolana,  a admitir a descoberta de "mamíferos muito maiores do que aqueles que se  pensavam existirem à época no resto do mundo", dada a dimensão de pegadas  com cerca de cinco centímetros.  
Durante a expedição, foram ainda feitos achados de plesiossauros, pterossauros e mosassauros, de mamíferos marinhos e de baleias e crocodilos.  
Duas novas espécies de mosassauros (répteis marinhos), que até agora  se desconheciam existirem em Angola, foram descobertas: "Carnodeus belgicus"  e "Mosasaurus hoffmani" (este com um crânio enorme de 1,5 metros).  
A expedição foi realizada nas províncias de Cabinda, Bengo, Kwanza Sul,  Benguela, Namibe, Huila e Lunda Sul. Os achados seguem agora para estudo, ficando mais tarde expostos no  Museu de Geologia da Universidade Agostinho Neto, em Luanda.  
in CM - ler notícia

sexta-feira, agosto 19, 2011

Notícia sobre plantas aromáticas e medicinais no Público


Diário de um passeio de ervas no Festival Andanças 
Fernanda Botelho editou As plantas e a saúde - Guia prático de primeiros socorros (Ariana Editora) e a agenda de 2011 Árvores, arbustos e outras plantas medicinais (Ariana Editora).
Escreve regularmente para o Portal do Jardim e é a autora do blogue Malva Silvestre.
 O festival Andanças realiza-se todos os anos na primeira semana de Agosto, na aldeia de Carvalhais, em São Pedro do Sul. Nos últimos dois anos, Fernanda Botelho foi convidada a orientar workshops e caminhadas de reconhecimento de ervas aromáticas e plantas medicinais pelos montes e vales da região. Em exclusivo para o Life&Style, Fernanda Botelho escreveu o diário da caminhada.

É certo que em Agosto a diversidade de plantas não é muito grande, mas mesmo assim aceitamos o desafio, pois há sempre plantas e árvores com muitas histórias para contar, começando logo à partida pelas árvores que dão origem ao nome da aldeia de Carvalhais: os carvalhos que, para meu grande espanto, muitos do cerca de 40 participantes da caminhada, desconheciam.
Em tempos de escassez, as bolotas de carvalhos eram muito apreciadas como alimento, sendo as de sabor mais doce as do Quercus rotundifólia- uma subespécie do Q.ilex- que, para além de serem ingeridas cruas, cozidas, torradas em forma de café, eram ainda moídas e misturadas com outros cereais no fabrico do pão.
De um ponto de vista medicinal, estas bolotas reduzem o fluxo menstrual, tonificando os músculos pélvicos e abdominais, sendo muito úteis em casos de prolápse do útero. No aparelho digestivo são utilizadas para tratar diarreia e disenteria e colite devido à sua acção adstringente. São ainda importantes no tratamento de hemorróidas e varizes. É um conhecido e eficaz remédio para tratar problemas de alcoolismo. Externamente em gargarejos no combate a dores de garganta, amigdalites, infecções da boca e gengivas, frieiras; em lavagens para tratar hemorróidas, feridas, corrimentos vaginais, fissuras anais, pequenas queimaduras.
Em Portugal os Quercus são muito apreciados pela sua resistência ao fogo, pela sua durabilidade e adaptabilidade, pela utilidade das suas bolotas, hoje quase exclusivamente para alimento dos porcos, especialmente do porco preto, mas principalmente para extracção da cortiça.
Portugal é o maior produtor de cortiça do mundo, produzindo cerca de 50 por cento deste material que é a casca do Quercus suber está protegido por lei só podendo ser cortado em situações muito específicas e com autorização especial. A cortiça é extraída de nove em nove anos e não danifica a árvore.

Verdes e rasteiras

Por este andar nem precisamos de ir muito longe, muitas das plantas que crescem à nossa volta são exactamente aquelas que mais nos poderão servir.
Andamos mais 20 metros, olhamos para o chão, e encontramos a tanchagem crescendo ali na beira do caminho, nas partes mais húmidas. Uma excelente planta de primeiros socorros, a tanchagem trata queimaduras, picadas de insectos, inflamações articulares. As suas folhas são um excelente legume que podem ser ingeridas cruas ou cozinhadas, as sementes tenras, ou seja, antes de estarem completamente formadas, têm um sabor a cogumelos puccini. Abundam nos relvados, beiras de caminhos e pradarias.
Sem sequer sair do mesmo lugar descobrimos as silvas, carregadinhas de suculentas amoras, ricas em vitaminas A, B e sobretudo C. Tal como todos os frutos vermelhos, as amoras são muito ricas em anti-oxidantes e tão importantes no combate aos radicais livres!
Para combater os arranhões e o inchaço causados pelos picos das silvas pode utilizar a folha da mesma planta esmagada para desinfectar e estancar o sangue, caso seja necessário. O chá destas folhas é ainda útil no tratamento de diarreia, disenteria, úlceras da boca, gengivites, dores de garganta (podem utilizar-se também em gargarejos), estados gripais, ajuda a baixar a febre e é útil em casos de anemia. Uma vez arrefecido o chá pode ser utilizado como loção para a pele.
As folhas das silvas são bastante adstringentes. Nalgumas culturas mastigam-se os rebentos tenros para aliviar dores de cabeça, sendo que estes também podem ser consumidos em saladas.

Doce como o meliloto

Continuamos a caminhada e encontramos meliloto que muita gente já tinha visto mas que desconhecia o nome e as suas propriedades medicinais. Tal como todas as leguminosas, o meliloto é um excelente fixador de azoto no solo e muito atraente para as abelhas. O seu nome deriva do grego mêli (mel).
É uma planta espontânea, muito comum da nossa flora, que gosta de solos calcários e arenosos. É anti-espasmódica, anticoagulante, sedativa, anti-inflamatória, sobretudo para tratar problemas da vista. Em uso interno e externo, ajuda a tratar varizes e hemorróidas e reduz o risco de flebites e tromboses. Precauções: Não ingerir meliloto se estiver a tomar anticoagulantes.
Depois encontramos malvas, uma das plantas mais utilizadas em Portugal para tratar os mais diversos problemas inflamatórios desde conjuntivites, gengivites, inflamações vaginais ou inflamações cutâneas. Para além dos chás e lavagens, pode usar as folhas em sopas e as flores em saladas.
Encontramos a dedaleira que NÃO se pode consumir em sopas ou saladas devido à sua toxicidade, mas no entanto é muito procurada pela indústria farmacêutica para sintetização dos seus componentes, digitalina e digitoxina, para fabrico de medicamentos cardíacos.
Encontramos fetos e pinheiros, urzes e mentas, todas elas ervas com interesse terapêutico e culinário. A urze é muito eficaz contra infecções urinárias e a menta é reconhecida enquanto planta refrescante e digestiva sendo utilizada na culinária de vários países em molhos, sobremesas, sumos e refrescos.
Encontramos trevos, camomilas, oregãos e celidónia, ou erva-do-betadine, utilizada principalmente para tratar verrugas.
Encontramos plantas tintureiras e outras desconhecidas, plantas venenosas e plantas comestíveis, plantas para as abelhas e plantas para os humanos.
O passeio durou cerca de três horas e saímos de lá todos mais ricos e com vontade de continuar a desvendar mais segredos de plantas. É bom sentir o entusiasmo e interesse de tanta gente fascinada com tudo o que as plantas têm para nos revelar.


NOTA: este blog tem divulgado algumas actividades de Fernanda Botelho, nomeadamente Formações em Leiria nesta área... Este post foi roubado ao Blog Geopedrados.

quinta-feira, agosto 18, 2011

Foi descoberto mais um fóssil vivo

Nova espécie existe no oceano Pacífico 
Enguia descoberta é um fóssil vivo 

O peixe foi encontrado em Março de 2010

Uma nova espécie de enguia encontrada numa gruta marinha é um “fóssil vivo” muito parecido com as primeiras enguias que nadaram há cerca de 200 milhões de anos, revela um artigo publicado nesta quinta-feira na revista inglesa Proceedings of the Royal Society B

 A espécie foi encontrada em Março de 2010 a 35 metros de profundidade num recife ao largo de Palau, uma ilha a norte da Indonésia, no oceano Pacífico. O peixe castanho é suficientemente diferente para formar por si só uma nova família, tem poucas características em comum com as enguias modernas que ao todo formam 19 famílias com 819 espécies.

O novo animal tem uma cabeça desproporcionalmente grande, um corpo pequeno e comprimido, tem as aberturas das guelras em forma de colar, raios na barbatana caudal e um maxilar chamado pré-maxila. Todos estas características são semelhantes às enguias primitivas que viveram na altura em que os dinossauros caminhavam sobre a Terra.

O nome científico da nova espécie é Protoanguilla palau. A espécie forma também um novo género e uma nova família, chamada Protoanguillidae. O termo proto, significa em grego "primeiro", e anguilla é a palavra latina para "enguia".

A equipa que fez a descoberta foi liderada por Masaki Miya, investigador do Museu e Instituto de História Natural de Chiba, no Japão. Com a ajuda de lâmpadas e redes, a equipa recolheu oito espécimes, com comprimentos entre seis e nove centímetros, fizeram testes de ADN e pesquisaram qual é a posição deste peixe na história genética e evolutiva.

Para já, a enguia só foi encontrada neste local, mas poderá ter uma distribuição bem maior, avança o estudo.

O termo "fóssil vivo" foi inventado por Charles Darwin no seu famoso livro A origem das espécies. É usado para descrever espécies que sobreviveram durante milhões de anos e que exploraram nichos ecológicos que mudaram tão pouco que não pressionaram as espécies para evoluírem. Um dos fósseis vivos mais emblemáticos é o peixe celacanto, descoberto no final da década de 1930, que vive no oceano Índico.

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sexta-feira, agosto 12, 2011

Hoje é o pico da Chuva de Estrelas das Perseidas


Imagem adaptada daqui

Embora este ano sejam muito prejudicadas pela Lua (quase) Cheia, é um dia para observar o céu e olhar em direcção à constelação de Perseu, sentado ou deitado para abarcar o máximo possível da abóbada celeste.


Uma perseida sobre o fundo da Via Láctea
As Perseidas ou Perséiades são uma prolífica chuva de meteoros associada ao cometa Swift-Tuttle. São assim denominadas devido ao ponto do céu de onde parecem vir, o radiante, localizado na constelação de Perseus. As chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra atravessa um rasto de meteoros. Neste caso o rasto é denominado de nuvem Perseida e estende-se ao longo órbita do cometa Swift-Tuttle. A nuvem consiste em partículas ejectadas pelo cometa durante a sua passagem perto do Sol. A maior parte do material presente na nuvem actualmente, tem aproximadamente 1.000 anos. No entanto, existe um filamento relativamente recente de poeiras neste rasto proveniente da passagem do cometa em 1862.
O fenómeno é visível anualmente a partir de meados de Julho, registando-se a maior actividade entre os dias 8 e 14 de Agosto, ocorrendo o seu pico por volta do dia 12. Durante o pico, a taxa de estrelas cadentes pode ultrapassar as 60 por hora. Podem ser observadas ao longo de todo o plano celeste, mas devido à trajectória da órbita do cometa Swift-Tuttle, são observáveis essencialmente no Hemisfério Norte.
A famosa chuva de estrelas das Perseidas tem sido observada ao longo dos últimos 2.000 anos, com a primeira descrição conhecida deste fenómeno registada no Extremo Oriente no ano 36. Na Europa recém cristianizada, as Perseidas tornaram-se conhecidas como Lágrimas de São Lourenço.
De forma a viver esta experiência ao máximo, a chuva deverá ser observada numa noite limpa e sem lua, a partir de um ponto afastado das grandes concentrações urbanas, onde o céu não se encontre afectado pela poluição luminosa. As Perseidas possuem um pico relativamente grande, pelo que o fenómeno pode ser observado ao longo de várias noites. Em qualquer uma destas, a actividade começa lentamente ao anoitecer, aumentando subitamente por volta das 23h, quando o radiante atinge uma posição celeste relativamente elevada. A taxa de meteoros aumenta de forma contínua ao longo da noite, atingindo o pico pouco antes do amanhecer, aproximadamente 1½ a 2 horas antes do nascer do sol.


NOTA: post em estereofonia com o Blog AstroLeiria.

quinta-feira, agosto 11, 2011

O satélite de Marte Deimos foi descoberto há 134 anos



Deimos é a menor e mais afastada das duas luas de Marte. É, também, a menor lua reconhecida do sistema solar. Seu nome é grego. Deimos era um dos filhos de Ares e Afrodite; deimos, em grego, significa terror.
A lua foi descoberta (junto com Fobos, uns dias mais tarde) em 12 de Agosto de 1877 por Asaph Hall e fotografado pela Viking 1 em 1977. Deimos tem um formato bastante irregular e acredita-se que se trate de um asteroide que foi perturbado de sua órbita por Júpiter e que acabou por ser capturado pela gravidade de Marte, passando a ser seu satélite.

Características principais
Por ser pequeno, Deimos não apresenta uma forma esférica, possuindo dimensões muito irregulares. É composto por rochas ricas em carbono, tal como muitos asteróides, e gelo. A sua superfície apresenta um número razoável de crateras mas, relativamente a Fobos, é muito mais lisa, consequência do preenchimento parcial das crateras com rególito (rochas decompostas). As maiores crateras deste satélite são Swift e Voltaire que medem, aproximadamente, 30 km de diâmetro.
Visto de Deimos, Marte surge no céu como um objecto 1000 vezes maior e 400 vezes mais brilhante do que a Lua cheia, como é observada da Terra.
Visto de Marte, Deimos surge como um pequeno ponto no céu, difícil de distinguir das outras estrelas embora, no seu máximo brilho, possua um brilho equivalente a Vénus (tal como é visto da Terra).

Formações geológicas
Apenas duas formações geológicas em Deimos receberam nomes. As crateras Swift e Voltaire receberam nomes de autores que especularam a existência de luas marcianas antes da descoberta das mesmas.

adaptado da Wikipédia

sábado, agosto 06, 2011

Descobertos estromatólitos de água doce em grutas!



FIRST OF ITS KIND: Lundberg explaining about the formation of stromatolites.

KUCHING: The presence of stromatolites have been detected in Deer Cave, revealed visiting speaker Professor Joyce Lundberg from Carleton University, Ottawa, Canada, yesterday.

The presence of stromatolites have been detected in Deer Cave, revealed visiting speaker Professor Joyce Lundberg from Carleton University, Ottawa, Canada, yesterday.
A suite of distinctive freshwater stromatolites developed in the low light zone close to the northeastern entrance of the cave located in Gunung Mulu National Park, is the first of their kind reported in the world.
Deer Cave is already famous for its huge passages and vast bat population.
According to Joyce, stromatolites are layered sedimentary fossilised structures formed from layers of cyanobacteria, calcium carbonate and trapped sediments.
“These stromatolites grow in a series of horizontal narrow shelves up a part of the cave wall that is exposed to low light, vertically underneath the guano-laden shelf washed by fresh water from a shower head above,” she explained in a technical talk given at the Tun Abdul Razak Hall yesterday.
The talk titled “Freshwater Stromatolites in Deer Cave, Sarawak – A Unique Geobiological Cave Formation” is part of a regular series of heritage talks organised by the Sarawak Museum Department.
About 40 people, comprising of students, academicians and officers from relevant government bodies, attended the talk.

sexta-feira, agosto 05, 2011

Astrofesta 2011 - Observatório Astronómico de Lisboa (5 a 7 de Agosto)


Em 2011 comemoram-se os 150 anos do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) e os 100 anos da FCUL e da UL. Para assinalar este facto foi decidido escolher o Observatório Astronómico de Lisboa como local para realizar a ASTROFESTA no fim de semana 5, 6 e 7 de Agosto de 2011 (quarto-crescente da Lua, como é habitual). 
Além das observações possíveis no céu de Lisboa, está planeado um conjunto de palestras, algumas das quais de temática histórica, e também uma actividade forte centrada em workshops ligados com a utilização de telescópios e a astrofotografia. Falaremos dos telescópios do passado, do presente e do futuro.

PROGRAMA


Sexta feira, dia 5 de Agosto

18:30 O Observatório Astronómico de Lisboa – 150 anos
Pedro Raposo (CIUHCT)*

19:30 Visita guiada aos espaços do Observatório.

21:30 2012  – o ano da confluência cósmica?
Rui Agostinho (OAL, FCUL)*

22:30 Momento musical pelo conjunto Aves Migratórias

23:30 O céu de Portugal
Máximo Ferreira (CCVC)* (seguido de observações pela noite dentro)


Sábado, dia 6 de Agosto

11:30 Telescópios do presente
Guilherme Almeida (APAA)*

12:00 Iniciação à Astrofotografia
Pedro Ré (FCUL, APAA)*

12:30 Medir o Céu
V. Teixeira e L. Tirapicos (MCUL)*

As três apresentações de manhã destinam-se a introduzir e a motivar os participantes para os “workshops” da tarde, de natureza “hands on”, que funcionarão em paralelo entre as 14h e as 17h. Devido a limitações de espaço estas actividades têm um número máximo de participantes e requerem uma inscrição prévia obrigatória. Consulte a página de Inscrições para informaçoes adicionais.

WS1 –  Óptica e tipos de telescópios, Guilherme de Almeida (APAA)*
WS2 –  Astrofotografia, Pedro Ré (APAA)*
WS3 –  Relógios de Sol, astrolábios e nocturlábio, V. Teixeira, L. Tirapicos (MCUL)* e S. Ferreira (OAL)*
Haverá duas sessões, uma às 14:00 e outra às 15:30

Funcionarão ainda mais duas actividades neste período entre as 14h e as 17h

ACT1 – Técnicas matemáticas da Astronomia antiga: uma introdução, Henrique Leitão (FCUL, CIUHCT)*
ACT2 – O CAAUL abre as suas portas, Investigadores do Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa falam sobre o seu trabalho de investigação.
Haverá três sessões: às 14:00, às 15:00 e às 16:00


17:00 A ASTROFESTA DE 2011
Assinalando mais uma edição das astrofesta, o OAL convida as instituições participantes para uma pequeno depoimento formal de abertura:  com representantes da UL, da FCUL, da C.Viva, da APAA.

17:30 A luz do Universo
José Afonso (OAL)*

18:15 A astronomia de Galileu
Henrique Leitão (FCUL, CIUHCT)*

19:00 O observatório Astronómico da Escola Politécnica: uma perspectiva patrimonial
Marta Lourenço (MCUL)*

19:30 Actividades de Astronomia no Museu de Ciência da Universidade de Lisboa
Vasco Teixeira (MCUL)*

20:00 Actividades de Astronomia no Centro Ciência Viva de Constância
Máximo Ferreira (CCVC)*

21:30 Telescópios do passado
Luis Tirapicos (MCUL)*

22:00 Planetas extra solares
Sérgio Sousa (CAUP)*

23:00 Telescópios do futuro
José Afonso (OAL)*

24:00 Visita Guiada ao Céu
Guilherme de Almeida (APAA)*

seguido de observações pela noite dentro


Domingo, dia 7 de Agosto

11:30 Navegações astronómicas nos descobrimentos
Rui Agostinho (OAL, FCUL)*

12:30 Medições da altura do Sol
Máximo Ferreira (CCVC)*

14:00 Encerramento


Lista de acrónimos

Mais informações:

quinta-feira, julho 21, 2011

O fim de uma era...

Centro Espacial Kennedy
Chegou ao fim a odisseia dos vaivéns espaciais



O vaivém Atlantis aterrou às 10h.57 (hora em Portugal) no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, Florida, com quatro astronautas a bordo. Foi a última viagem de um vaivém da NASA.

O vaivém aterrou pouco antes do nascer do Sol (às 05.57, hora local), cerca de uma hora depois de ter entrado na atmosfera terrestre e de ter sobrevoado a América central. Em piloto automático durante toda a descida, o comandante Chris Ferguson assumiu os comandos da nave manualmente para alinhar o vaivém com a pista de aterragem.

"Missão cumprida, Houston. Depois de ter servido durante mais de 30 anos, a nave espacial americana conquistou o seu lugar na História", disse o comandante do Atlantis, pouco depois da aterragem.

Depois, os quatro astronautas - Chris Ferguson (comandante), Doug Hurley (piloto) e os especialistas de missão Sandra Magnus e Rex Walheim - procederam a uma série de avaliações aos sistemas de segurança.

Este é o fim da missão do Atlantis, que passou oito dias, 15 horas e 21 minutos acoplado ao laboratório orbital.

“Os vaivéns espaciais mudaram a forma como vemos o mundo, a forma como vemos o universo”, acrescentou Ferguson . “A América não vai parar de explorar [o espaço]”, garantiu Ferguson, agradecendo o fim do programa, com sucesso.

O Atlantis saiu da Terra no passado dia 8 de Julho, com o objectivo de transportar quatro toneladas de carga em comida, roupas e equipamento para um ano de trabalho da ISS. A carga foi armazenada no módulo italiano Raffaello, de 6,5 metros de comprimento, que ficou acoplado à estação durante estes dias. Os astronautas descarregaram o que havia no módulo e voltaram a enchê-lo com lixo produzido na ISS e material que já não é necessário, voltando à Terra com o Atlantis.

Foi o 33º voo deste vaivém, que se estreou no espaço em Outubro de 1985.

O fim da frota de vaivéns espaciais da NASA foi decidido pelo Governo norte-americano, em parte devido aos elevados custos de manutenção das naves. As cinco naves do programa espacial realizaram mais de duas mil experiências nas áreas das ciências da Terra, Astronomia, Biologia e Materiais. Ao longo destes anos, acoplaram em duas estações espaciais: a russa Mir e a ISS.

Agora, a curto prazo, a NASA vai depender dos vaivéns russos para transportar astronautas de e para a Estação Espacial Internacional (ISS).

O Atlantis ficará exposto no centro de visitantes no Centro Espacial Kennedy, e os Discovery e Endeavour - que cumpriram as suas últimas missões no início deste ano - ficarão à guarda do Museu do Ar e do Espaço (Virgínia) e Centro de Ciências da Califórnia, em Los Angeles, respectivamente.
in Público - ler notícia

quarta-feira, julho 20, 2011

A sonda Dawn chegou ao asteróide Vesta

Sonda da NASA já começou a produzir fotografias
Asteróide Vesta mais detalhado do que nunca

A sonda vai procurar luas durante a aproximação a Vesta (NASA)

O asteróide Vesta nunca tinha sido visto tão detalhadamente. Mas assim que a sonda Dawn, da NASA, entrou na sua órbita, começou a tirar fotografias ao asteróide, que foram publicadas nesta terça-feira pela Agência Espacial Norte Americana.

Vesta tem uma forma redonda, está situado na cintura de asteróides, entre Marte e Júpiter. É um dos mais antigos e o segundo maior objecto daquela região, que tem milhares de corpos. O asteróide tem cerca de 500 quilómetros de diâmetro e os cientistas esperam que revele segredos sobre o início da formação dos planetas do Sistema Solar.

“Estamos a começar a estudar a superfície primordial mais velha que ainda existe no Sistema Solar”, disse Christopher Russell, investigador principal responsável pela missão, da Universidade de Califórnia, EUA. “Esta região do espaço tem sido ignorada durante demasiado tempo. Até agora, as imagens recebidas revelam uma superfície complexa que parece ter preservado alguns dos primeiros acontecimentos na história de Vesta, e também mostra toda a devastação que sofreu depois.”

As imagens que existiam do asteróide, foram tiradas nos últimos dois séculos por telescópios terrestres e espaciais, e não tinham o grau de pormenor que as fotografias de Dawn vão dar.

Os cientistas estimam que Vesta tenha entrado em órbita neste sábado, dia 16 de Julho, às 6h00 de Lisboa, quando estava a 16.000 quilómetros de distância do asteróide. Durante as primeiras três semanas, a sonda vai continuar a aproximar-se do corpo. Ao longo dessa aproximação, Dawn vai verificar se Vesta tem luas, tirar mais fotografias para a navegação, observar propriedades físicas e vai obter informação de calibração.

A sonda partiu da Terra em 2007, durante o próximo ano ficará a dar voltas a Vesta para depois seguir em direcção a Ceres – o maior dos corpos da cintura de asteróides, que fica mais próximo de Júpiter. Ceres tem características interessantes que contrastam com Vesta, e que a Dawn vai investigar. A sonda deverá chegar lá em Fevereiro de 2015.

terça-feira, julho 19, 2011

Os portugueses são um bocadinho trogloditas, diz a Ciência


Ancestralidade


Metade dos portugueses descende das mulheres de Altamira e Lascaux


por Marta F. Reis, Publicado em 19 de Julho de 2011





Estudos do genoma para conhecer os antepassados fazem dez anos. Também são procurados em Portugal





O complexo de grutas de Lascaux, em França, foi vital para os europeus



 Parece um disparate, porém, depois de mais de uma hora a tentar perceber como é que qualquer coisa como uma dúzia de letras do nosso ADN (do total de 3 mil milhões) podem revelar o percurso dos nossos antepassados, a ideia até desperta algumas emoções. "Depois de saber que era descendente da avó Helena, fiz questão de ir a Lascaux", diz José Carlos Soares Machado.

O presidente da Associação Portuguesa de Genealogia (APG) fala das grutas francesas, recheadas de desenhos nas paredes. Ao referir-se a Helena, mergulha naquilo que foram os últimos dez anos de estudos genéticos sobre ancestralidade. Em 2001, o cientista de Oxford Bryan Sykes explicou num livro que era possível alargar as tradicionais árvores genealógicas ao início do Homo sapiens (na região da Etiópia, há 200 mil anos). O público gostou da ideia e os centros de investigação com especialistas em genética começaram a disponibilizar-se para fazer o trabalho. Em Portugal, o Instituto de Medicina Molecular de Lisboa já fez 200 perfis.

Expliquemos a história da avó Helena, caso queira incluir Lascaux nos destinos de férias. Metade dos europeus, e também dos portugueses, descenderão das mulheres que habitaram as quentinhas grutas do Sul europeu (Lascaux mas também Altamira em Espanha e Vila Nova de Foz Côa) durante a última glaciação, há 12 mil anos. Se a mulher que desencadeou toda esta vasta descendência se chamava de facto Helena não se sabe, e talvez seja pouco provável, mas o nome surge no livro de Sykes "As Sete Filhas de Eva", onde o investigador explica os diferentes perfis genéticos que descenderam da chamada "Eva mitocondrial", a primeira mulher que passou sequências de ADN às suas filhas através das mitocôndrias dos óvulos.

Das cerca de 30 linhagens maternas já descobertas pelos investigados nas populações mundiais, há duas que parecem ter habitados as grutas do Sul da Europa. Em termos genéticos, chama-se a estes grupos de descendência "haplogrupos" e pode dizer-se que a maioria dos portugueses, como os europeus, descende do H e do U (em Portugal são 41% e 17% respectivamente). Sykes, que queria tornar a história fácil para os leigos em ciência, disse que os portadores da marca genética H eram netos da avó Helena e explicou no seu livro como a senhora era adepta das pinturas rupestres. Resta dizer que entre os famosos netos de Helena se encontra a rainha Maria Antonieta, factóide a que talvez nunca chegasse se se dedicasse a construir a sua árvore genealógica.

Do lado do pai, Soares Machado tem um legado viquingue (bastante comum na Escandinávia), mas mais de metade dos portugueses (55%) descende também dos celtas, que por sua vez descendiam dos homens que chegaram à Europa vindos do Sul da Sibéria, actual Cazaquistão e Usbequistão, antes de se enfiarem nas grutas do Sul. A segunda ascendência mais comum é a dos descendentes das populações que não deixaram África na altura das primeiras migrações, há 80 mil anos (Paleolítico Médio). Estes clãs que se mantiveram pelo Corno de África enquanto a maioria se dedicava a colonizar a Península Arábica parece ter começado a ganhar diferenças genéticas há 53 mil anos. Em Portugal representam 14% das linhagens paternas, mas são um ascendente muito mais comum na região do Magrebe, onde representam 33% a 80% do fundo genético das populações.

Como se faz Maria do Carmo Fonseca, directora do Instituto de Medicina Molecular onde a spin-off GenoMed começou a fazer estes testes há três anos (a pedido da APG), ajuda a compreender a análise que permite conhecer os antepassados. A matéria-prima é o genoma humano, a sequência de ADN onde estão contidas todas as informações genéticas para as células funcionarem e o organismo cumprir as funções vitais. "À medida que o nosso conhecimento sobre o genoma humano tem evoluído percebemos cada vez mais como funciona e que informação podemos encontrar sobre o nosso passado, o nosso presente e eventualmente o nosso futuro", diz a investigadora Prémio Pessoa em 2010.

Os estudos mais comuns têm a ver com o diagnóstico ou a susceptibilidade a doenças - quando os investigadores procuram mutações ou genes já associados a patologias como o cancro ou a doença de Alzheimer. Mas cedo se percebeu que, além das instruções genéticas, inscritas em zonas que codificam proteínas, havia zonas do genoma que podiam querer dizer algo mais (as mesmas onde se procura informação sobre parentalidade ou maternidade). "O teste é o mesmo mas olhamos para zonas diferentes do ADN, a que chamamos silenciosas porque não codificam proteínas." Restava um problema: se recebemos informação genética do nosso pai e da nossa mãe, que se mistura, era preciso olhar para regiões que viessem inequivocamente de um ou de outra. A aposta recaiu assim no cromossoma Y (transmitido dos pais para os filhos) e no ADN mitocondrial (contido no óvulo da mãe).

O processo de identificação do haplogrupo acaba por parecer um jogo. Sobretudo desde que passou a haver grandes estudos genéticos para diferentes populações. Confrontando sequências de ADN (a forma como as letras que compõem o código genético estão dispostas), os cientistas acabaram por perceber que a simples troca de letras em posições específicas permite identificar a ancestralidade. Depois de terem a sequência de ADN, folhas onde as letras A, C, G e T se dispõem em partes, os investigadores verificam manualmente as posições utilizadas para definir cada grupo. Assim, imagine-se, se no marcador x (entre seis e nove que é necessário observar até chegar ao veredicto possível mediante o conhecimento actual) há um C em vez de um G, é possível dizer se a pessoa descende por via paterna dos mercadores fenícios que passaram pela Península Ibérica há 3 mil anos ou dos viquingues que invadiram a Escandinávia há 7 mil.

Para ver a ascendência materna repete--se a análise, e as letras, consoante o sítio, podem revelar pegadas históricas mais comuns, ligadas aos refúgios nas grutas francesas e espanholas, ou então (como só acontece com 5% dos portugueses), uma linhagem materna ligada a refúgios da mesma época no Nordeste da Itália. Neste caso, em vez de se partilhar a família alargada com Maria Antonieta poderá chamar primo afastado a Ötzi, o homem do gelo, uma das múmias mais antigas conhecidas, de um homem que terá vivido há 5300 anos.

Apesar de para já ainda não serem muitos os grupos conhecidos, a expectativa dos investigadores é continuarem a aumentar os subgrupos dentro de cada população. A GenoMed tem ainda uma parceria com um grupo de investigação de Santiago de Compostela que permite quantificar o grau de mistura: ou seja, com fundo paterno celta e linhagem materna fenícia, poderá perceber o que pesa mais no seu código genético. Um mapa-múndi com a divisão de populações por haplogrupos permite perceber que entre os nativos da Península Ibérica existe uma grande mistura, enquanto nos americanos e africanos se mantém maior homogeneidade.

Para Maria do Carmo Fonseca, os factos curiosos não se ficam por aqui. Um estudo publicado em 2003 conclui, por exemplo, que 0,5% da população mundial parece ser descendente do imperador mongol Gengiscão, ilustre famoso a quem é atribuído um dos subgrupos do haplogrupo C (dominante no Norte da Ásia). "Na região ocupada pelos mongóis há um padrão que parece tão frequente que, por ter sido datado de há mil anos, permite pensar que 8% dos homens locais descendem de Gengiscão. Ele não podia ter tido mais que umas dezenas de filhos, mas deviam ser tão tortos que dominavam os outros." Outra verificação que tem gerado polémica, assinada por Sykes, é que metade dos ingleses têm a mesma ascendência que alemães e dinamarqueses. E que não teriam sobrevivido ao frio glaciar sem os abrigos ibéricos. 





in i - ler notícia

sábado, julho 09, 2011

Ciência Viva no Verão 2011 - começaram as inscrições!

Ciência Viva no Verão

Edição de 2011 (15 de Julho a 15 de Setembro)


Neste Verão leve a Ciência na bagagem. Visite o interior de uma barragem, siga os trilhos do lobo ibérico, desça a uma mina e fique a ver estrelas com os amigos e a família com a Ciência Viva no Verão. São milhares de actividades gratuitas em todo o país, sempre na companhia de especialistas. Uma iniciativa Ciência Viva, em colaboração com instituições científicas, museus, Centros Ciência Viva, associações, autarquias e empresas. Este ano, a Ciência vai também aos Castelos, com uma série de novas actividades científicas em castelos portugueses por todo o país.

Poderá desde já consultar o programa de 2011. As inscrições nas actividades abrem dia 9 Julho.

Nestas férias, a Ciência vai consigo. 



NOTA: este ano volta a haver Faróis e acrescentaram os Castelos, tendo mantido tudo o resto. Há muitas actividades interessantes (este ano vou fazer observações astronómicas como sócio da Ad Astra...!) e há outras que desapareceram (a Mina de Sal Gema de Loulé não tem Geologia no Verão este ano...). Aqui ficam os links, com a promessa de sugerir-mos mais tarde algumas actividades:

segunda-feira, julho 04, 2011

Há 957 anos surgiu uma Supernova na constelação do Caranguejo

Quando a morte é bela e explosiva


A supernova de 1054 registada pelos primeiros índios norte americanos

Deixo, aqui, a minha crónica semanal no jornal i.

Se na crónica da semana passada viajámos até ao futuro, convido-o hoje a imaginar precisamente este 4 de Julho mas do ano de 1054. Na distante China, os astrólogos do Palácio Real dedicavam-se ao estudo do rendilhado mapa de constelações na tentativa de desvendar os insondáveis destinos da nação. Nada de "biscoitos da sorte" ou cartas astrológicas personalizadas, não, que a astrologia chinesa era apenas voltada para futuros colectivos. E, repita-se, rendilhada: enquanto no Ocidente se contavam 88 constelações, a China encontrou 283 padrões criativos nos céus! Nesse 4 de Julho assistiram a um dos maiores espectáculos celestes de todos os tempos: na constelação do Touro, um portentoso ponto brilhante no céu, que rivalizou em brilho com o Sol e a Lua, denunciava o início do término da vida de uma estrela de enorme massa. Os astrólogos chineses registaram com temor e admiração esse evento e os primeiros índios da América do Norte registaram também, nas rochas, o fenómeno. Curiosamente, na Europa da Idade Média não se encontra uma única nota, um único desenho. Durante 23 dias, esse marco foi visível à luz do dia. Por mais de dois anos foi uma forte lanterna da abóbada celeste nocturna. Hoje, 957 anos depois e naquele local, uma enorme miscelânea de filamentos gasosos coloridos transformou um fim num cenário glorioso e belo - a Nebulosa do Caranguejo. A morte, no cosmos, não é necessariamente feia e triste!

in De Rerum Natura - post de

quarta-feira, junho 29, 2011

Sugestão de actividade - Pinhal das Artes 2011

Um Rei Trovador, de seu nome Dinis, entendeu por bem semear um pinhal entre Leiria e o mar. A sombra fresca deste pinhal mistura-se com os aromas do Atlântico ali ao fundo e juntos oferecem-nos o cenário mágico do Pinhal das Artes. Os bebés chegam nos embalos de seus pais, e são recebidos por uma praia de sons, cores, cheiros, movimentos e amigos.
Alguns arriscam ouvir o canto dos pássaros nas madrugadas da mata, enquanto outros preferem os sons da noite. Quem opta por ficar na grande tenda central adormece ao som das sestas cantadas, e ali se perde ouvindo flautas e guitarras, cítaras e oboés. As avós preferem as tendas das canções de embalar seus netos, e os irmãos mais velhos ficam a construir brinquedos da floresta.
Os cavalos chegam com o fresco da tarde, mas as carpas Koi dormem no Pinhal, e este ano terão uma casa especialmente confortável. Uma família repete pela terceira vez a tenda que se pisa, e um bebé teima em comer o fantoche do teatro. Aproximam-se fadas do Pinhal que ofertam sementes da terra e cantam sons dos céus. Eis que começa o baile. Não, são as danças sagradas.
Os pic-nics são eternos. O fresco das acácias e os sons das tendas mais próximas ajudam a partilhar sopinhas e papas, saladas e frutas passadas. Ouvem-se guitarras e concertinas, vai começar o concerto. Concertos para Bebés, para esquilos e outros amigos que ali testemunham a visão do tal Rei Trovador. Vou ao teatro, mas só penso nas histórias à fogueira que vão fechar a noite. Ali adormecemos todos.Adeus, voltaremos a estar juntos. Adeus, tu e eu mais uma vez… assim cantaremos vezes sem conta no Pinhal das Artes deste ano. 29 de Junho a 3 de Julho. Em São Pedro de Moel – Marinha Grande, numa organização SAMP - a maternidade das Artes.

PROGRAMA GERAL


Dia  29 – QUARTA-FEIRA
10:00 – Abertura do recinto
10:30 - Espectáculo de Acolhimento – Tenda Central
11:00 – Tendas temáticas multiartes
13:00 – Pic-nic
14:30 – Sesta cantada - Tenda Central
15:00 – Tendas temáticas multiartes
17:00 – Canção da despedida – Tenda Central
19:30 – Saxofones em concerto
21:30 – Berço e Piccolini SAMP
22:30 – Orquestra SwingSamp - Tenda Central

Dia  30 – QUINTA-FEIRA
10:00 – Abertura do recinto
10:30 - Espectáculo de Acolhimento – Tenda Central
11:00 – Tendas temáticas multiartes
13:00 – Pic-nic
14:30 – Sesta cantada - Tenda Central
15:00 – Tendas temáticas multiartes
17:00 – Canção da despedida – Tenda Central
18:00 - Órgão em concerto – Tenda Central
19:00 - Classe de Cordas SAMP
20:00 - Orquestra Caleidoscópica e Ensemble de Saxofones SAMP
21:00 - Coros infantil e Juvenil SAMP
22:00 – Guitarras para todos e canções de sempre

Dia  1 – SEXTA-FEIRA
10:00 – Abertura do recinto
10:30 - Espectáculo de Acolhimento – Tenda Central
11:00 – Tendas temáticas multiarte
13:00 – Pic-nic
14:30 – Sesta cantada - Tenda Central
15:00 – Tendas temáticas multiarte
17:30 – A lebre e o ouriço – TRIOPULANTE
19:00 - Classe de Trompa SAMP
19:30 – Classes de Conjunto SAMP
21:30 – Piccolini Filarmónicos (coro e orquestra de pais e filhos)
22:30 – Histórias à Fogueira e Observação de Estrelas


Dia 2 – SÁBADO
07:30 – Audição de pássaros e chá da manhã com José Artur
10:00 - Concerto para Bebés – Tenda Central
11:00 - Tendas temáticas multiarte
12:00 – Guitarras em concerto
13:00  - Pic-nic
14:30 – Sesta Cantada – Tenda Central
15:00 - Tendas temáticas multiarte
17:00 - Fadas na Fonte das Delícias: Percurso pedestre com Sónia Guerra
17:00 - Projecto AMAR OS SONS – Tenda Central
17:00 - Vida Cooperativa baseada em princípios biológicos e biodinâmicos
18:00 –Classes de Piano SAMP
19:00 – 8 SAMP Estação Teatral
20:00 – Classe de Percussão SAMP
21:00 – Schola Cantorum Pastorinhos de Fátima – Coro Infantil
22:00 – Guitarras para todos e Canções de sempre
22:30 - Histórias à Fogueira e Observação de Estrelas


Dia 3 – DOMINGO
07:30 – Audição de pássaros e chá da manhã com José Artur
08:00 – Fadas no Pinhal Manso: Percurso pedestre com Sónia Guerra
10:00 – Concerto para Bebés – Tenda Central
11:00 - Tendas temáticas multiarte
11:30 – Flautas em concerto – Tenda central
12:30 – Classe de Guitarras SAMP
13:00  - Pic-nic
14:30 – Sesta Cantada – Tenda Central
15:00 - Tendas temáticas multiarte
15:30 – Classes de Violino e Violoncelo SAMP
16:00 - Klassicus SAMP
16:30 – Classes de Oboé, Clarinete e Fagote SAMP – Tenda Central
17:30 – A lebre e o ouriço - TRIOPULANTE
19:00 – Espectáculo de encerramento


CONTEÚDOS
A feira é constituída pelos seguintes espaços:


Tenda Central
A Tenda Central da feira é o espaço onde acontecem os espectáculos de grande grupo.
Este ano, para além dos Concertos para Bebés teremos os TRIOPOLANTE com o espectáculo A lebre e o ouriço. À noite, para além das histórias à fogueira, haverá programação que vai do jazz às canções de sempre.

Haverá também na Tenda Central actividades permanentes para as famílias que não consigam lugar nas tendas temáticas.

Quarta-feira - dia 29
Hora
Momento
Feirantes
10:30
Espectáculo de acolhimento
Berço das Artes SAMP
14:30
Sesta Cantada
Berço das Artes SAMP
17:00
Canção da despedida
Berço das Artes SAMP
19:30
Saxofones em concerto
Bruno Homem e Alberto Roque
21:30
Berço e PICCOLINI SAMP
Berço das Artes SAMP
22:30
Orquestra SwingSamp
Sérgio Ventura


Quinta-feira - dia 30
Hora
Momento
Feirantes
10:30
Espectáculo de acolhimento
Berço das Artes SAMP
14:30
Sesta cantada
Berço das Artes SAMP
17:00
Canção da despedida
Berço das Artes SAMP
18:00
Órgão em concerto
Rute Martins
19:00
Classe de Cordas SAMP
Sara Llano, Rogério Medeiros e Ana Freitas
20:00
Orquestra Caleidoscópica e Ensemble de Saxofones SAMP
Bruno Homem
21:00
Coros infantil e Juvenil SAMP
Oxana Khurdenko
22:00
Guitarras para todos e canções de sempre
Raquel Gomes


Sexta-feira - dia 1
Hora
Momento
Feirantes
10:30
Espectáculo de acolhimento
Berço das Artes SAMP
14:30
Sesta Cantada
Berço das Artes SAMP
17:30
A Lebre e o Ouriço
TRIOPULANTE
19:00
Classe de Trompa SAMP
Ana Abrantes
19:30
Classes de Conjunto SAMP
Bruno Homem e Sérgio Ventura
21:30
Piccolini Filarmónicos SAMP
Coro e Orquestra de pais e filhos
Paulo Lameiro, Bruno Homem, Sérgio Ventura e Oxana Khurdenko.
22:30
Histórias à fogueira e partida observação de estrelas
Pais e filhos com Berço das Artes SAMP

Sábado 2
Hora
Momento
Feirantes
07:30
Partida para observação de pássaros
José Artur
10:00
Concerto para Bebés
Paulo Lameiro com MUSICALMENTE e NARAGÓNIA
12:00
Guitarras em concerto
Sérgio Barreiro e Marco Ferreira
14:30
Sesta Cantada
Berço das Artes SAMP
17:00
Partida para Fonte das Delícias
Sónia Guerra
17:00
Projecto AMAR OS SONS
Bela Belchior e Joana Pinto
17:00
Vida Cooperativa baseada em princípios biológicos e biodinâmicos
Filipa Júlio
18:00
Classes de Piano SAMP
Luís Batalha, Oxana Khurdenko e Yumiko Ishizuka.
19:00
8 SAMP Estação Teatral
Simão Vieira
20:00
Classe de Percussão SAMP
Sérgio Nogueira
21:00
Schola Cantorum Pastorinhos de Fátima – Coro Infantil
Paulo Lameiro
22:00
Guitarras para todos e canções de sempre
Raquel Gomes
22:30
Histórias à Fogueira e partida para Observação de Estrelas
Pais e filhos com Berço das Artes SAMP

Domingo 3
Hora
Momento
Feirantes
07:30
Partida para Audição de pássaros
José Artur
08:00
Partida para Fonte das Delícias
Sónia Guerra
10:00
Concerto para Bebés
Paulo Lameiro com MUSICALMENTE e NARAGÓNIA
11:30
Classes de Flauta SAMP
Vera Pereira, Rui Marques e Carla Antunes
12:30
Classe de Guitarras SAMP
Sérgio Barreiro e Marco Ferreira
14:30
Sesta Cantada
Berço das Artes SAMP
15:30
Classes de Violino e Violoncelo SAMP
Sara Llano, Ana Freitas e Rogério Medeiros
16:00
Klassicus SAMP
Sérgio Ventura
16:30
Classes de Oboé, Clarinete e Fagote SAMP
Frederico Fernandes, Sérgio Ventura e Nuno Gonçalves
17:30
A Lebre e o Ouriço
TRIOPULANTE
19:00
Espectáculo de Encerramento
Todos os artistas do Pinhal


NOTA: no ano em que passam 750 anos do nascimento de El-Rei D. Dinis, que melhor forma de o homenagear do que ir ao seu Pinhal, ouvir música, brincar com os meninos e graúdos, ouvir os progressos de pais e filhos? Eu lá estarei na quinta, para ouvir o meu filhote tocar órgão, na sexta para, com os Piccolini Filarmónicos SAMP (Coro e Orquestra de pais e filhos) tocar e cantar e, depois, na mesma noite, às 22.30 horas, no Ponto Novo (um local com torre de vigia de fogos, no cimo de uma duna próxima do local das actividades musicais) fazer uma Observação Astronómica com os meus colegas da Ad Astra - Associação para a Divulgação da Astronomia de Amadores, que repetiremos à mesma hora no sábado.

Venham ver, sentir, cheirar e ouvir um espectáculo único no Mundo...!